Gliomas: o que são e por que existem diferentes tipos?

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Gliomas: o que são e por que existem diferentes tipos?

Glioma é o nome dado a um grupo de tumores do sistema nervoso central que inclui astrocitomas, oligodendrogliomas e glioblastomas. Atualmente, compreender as características moleculares do tumor é parte fundamental do diagnóstico e pode influenciar as decisões sobre tratamento e acompanhamento.



Quando uma pessoa recebe o diagnóstico de um glioma, uma das primeiras dúvidas costuma ser: afinal, o que esse nome significa?

Glioma não é uma doença única. O termo engloba diferentes tumores que se originam no sistema nervoso central e que podem apresentar comportamentos bastante distintos. Alguns evoluem lentamente durante anos; outros apresentam crescimento mais rápido e precisam de tratamento mais intensivo.

Nas últimas décadas, o conhecimento sobre esses tumores mudou profundamente. Hoje, para definir adequadamente um glioma, não basta observar sua aparência ao microscópio. As características moleculares das células tumorais passaram a fazer parte do próprio diagnóstico.

Hoje, entender um glioma vai muito além de olhá-lo ao microscópio: sua "impressão digital" molecular é parte essencial do diagnóstico e do plano de tratamento.

A classificação atual da Organização Mundial da Saúde (OMS) integra informações histológicas e moleculares e reconhece, entre os gliomas difusos mais frequentes no adulto, três grandes tipos:

  • Astrocitoma IDH-mutado
  • Oligodendroglioma IDH-mutado e com codeleção 1p/19q
  • Glioblastoma IDH-selvagem

Astrocitoma, oligodendroglioma e glioblastoma são a mesma coisa?

Não.

Nos adultos, os principais gliomas difusos são atualmente classificados de acordo com algumas características moleculares fundamentais.

O astrocitoma IDH-mutado apresenta uma alteração em um dos genes chamados IDH e pode ser classificado nos graus 2, 3 ou 4.

O oligodendroglioma, por definição, apresenta mutação de IDH associada à chamada codeleção dos cromossomos 1p e 19q. Pode ser classificado como grau 2 ou grau 3.

Já o glioblastoma, na classificação atual da OMS, corresponde a um glioma difuso IDH-selvagem de grau 4, definido por características histológicas e/ou moleculares específicas.

Por que essa distinção importa?

Esses tumores apresentam histórias naturais diferentes e não necessariamente recebem o mesmo tratamento. A classificação precisa é o primeiro passo para um cuidado individualizado.

Comparativo rápido dos principais gliomas do adulto

Tipo Marcador molecular Graus possíveis
Astrocitoma IDH-mutado 2, 3 ou 4
Oligodendroglioma IDH-mutado + codeleção 1p/19q 2 ou 3
Glioblastoma IDH-selvagem 4

Por que aparecem tantas siglas no laudo?

É cada vez mais comum que o laudo de um glioma inclua termos como IDH, 1p/19q, ATRX, MGMT, CDKN2A/B, TERT ou outros marcadores.

Para quem não trabalha na área, essas informações podem parecer excessivamente técnicas. Entretanto, várias delas têm importância prática.

O IDH, por exemplo, é fundamental para classificar os gliomas difusos do adulto. A presença conjunta da mutação de IDH e da codeleção 1p/19q define o diagnóstico de oligodendroglioma.

Em determinadas situações, outras alterações moleculares também contribuem para estabelecer o grau do tumor, estimar seu comportamento ou ajudar na escolha do tratamento. O status de metilação do MGMT, por exemplo, pode fornecer informação relevante sobre a sensibilidade do glioblastoma à quimioterapia, particularmente em alguns cenários clínicos.

A análise molecular não é apenas um exame adicional: em muitos gliomas, ela é parte essencial do diagnóstico correto.

Quais sintomas um glioma pode causar?

Os sintomas dependem principalmente da localização, do tamanho e da velocidade de crescimento do tumor.

Entre as possíveis manifestações estão:

  • Crises convulsivas
  • Dor de cabeça persistente ou progressiva
  • Alterações de força ou sensibilidade
  • Dificuldades de fala ou compreensão
  • Alterações visuais
  • Mudanças de memória ou comportamento
  • Desequilíbrio ou dificuldade de coordenação

⚠️ Atenção

Esses sintomas, isoladamente, não significam que uma pessoa tenha um tumor cerebral. Diversas condições neurológicas podem produzir manifestações semelhantes. A investigação adequada geralmente começa com avaliação clínica e exames de imagem, principalmente a ressonância magnética do encéfalo.

Como o diagnóstico é confirmado?

A ressonância fornece informações muito importantes sobre a localização e as características da lesão, mas, na maioria dos casos em que isso é viável, a definição precisa do diagnóstico depende da análise de tecido obtido por cirurgia ou biópsia.

Esse material é avaliado pela neuropatologia e, conforme o caso, complementado por exames imunohistoquímicos e moleculares.

O objetivo não é apenas descobrir "se existe um tumor", mas compreender qual tumor é aquele.

Todo glioma precisa do mesmo tratamento?

Não. Esse é um dos pontos mais importantes.

A decisão terapêutica pode levar em consideração:

  • Tipo molecular do tumor
  • Grau
  • Localização
  • Extensão da cirurgia
  • Idade e estado clínico do paciente
  • Presença ou ausência de sintomas
  • Velocidade de crescimento
  • Tratamentos previamente realizados

A cirurgia, quando indicada e possível com segurança, desempenha papel central no diagnóstico e no tratamento de muitos gliomas. Dependendo do tipo de tumor e do contexto clínico, podem ser indicados posteriormente acompanhamento por imagem, radioterapia, quimioterapia ou terapias direcionadas a alterações moleculares específicas.

Por isso, a conduta não deve ser definida apenas pela palavra "glioma" ou pelo grau isoladamente.

Por que a avaliação multidisciplinar é importante?

O tratamento dos tumores do sistema nervoso central frequentemente envolve diferentes áreas, como neurocirurgia, oncologia clínica, radioterapia, neurorradiologia e neuropatologia.

A integração entre essas especialidades permite reunir as informações clínicas, radiológicas, cirúrgicas, histológicas e moleculares antes de definir a estratégia mais adequada para cada paciente.

O avanço da classificação molecular tornou essa avaliação ainda mais importante: atualmente, conhecer exatamente o subtipo do tumor pode modificar tanto a interpretação do prognóstico quanto as possibilidades de tratamento.

Recebeu um diagnóstico de glioma?

Uma avaliação especializada em neuro-oncologia pode ajudar a esclarecer dúvidas, revisar exames e discutir as melhores opções de tratamento para o seu caso.

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Em resumo

Os gliomas formam um grupo heterogêneo de tumores do sistema nervoso central. Astrocitoma, oligodendroglioma e glioblastoma são doenças biologicamente diferentes, e o diagnóstico moderno depende da integração entre a análise microscópica e as características moleculares do tumor.

Compreender essas diferenças é fundamental para que o tratamento seja individualizado e baseado nas melhores evidências disponíveis.

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui uma avaliação médica individualizada.

Referências principais

  • Louis DN, Perry A, Wesseling P, et al. The 2021 WHO Classification of Tumors of the Central Nervous System: a summary. Neuro-Oncology. 2021.
  • Weller M, van den Bent M, Preusser M, et al. EANO guidelines on the diagnosis and treatment of diffuse gliomas of adulthood. Nature Reviews Clinical Oncology. 2021.

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