Meningioma: todo tumor precisa ser tratado?

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Meningioma: todo tumor precisa ser tratado?

O diagnóstico de um meningioma nem sempre significa necessidade imediata de tratamento. Tamanho, localização, presença de sintomas e crescimento ao longo do tempo ajudam a definir se a melhor conduta é acompanhamento, cirurgia ou radioterapia.



Descobrir um meningioma em uma ressonância magnética costuma gerar preocupação imediata. Uma pergunta muito frequente é: "se existe um tumor, preciso operar?"

A resposta é: não necessariamente.

Os meningiomas constituem um dos grupos mais frequentes de tumores intracranianos e apresentam comportamentos muito variados. Muitos crescem lentamente e podem permanecer sem provocar sintomas durante longos períodos.

Nem todo tumor exige tratamento imediato. Em muitos casos, acompanhamento cuidadoso é a melhor conduta.

O que é um meningioma?

O meningioma é um tumor que se desenvolve a partir de células relacionadas às meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal.

Portanto, diferentemente do que muitas pessoas imaginam, ele não nasce propriamente das células do cérebro.

A localização faz diferença

Como as meninges estão presentes em diferentes regiões do sistema nervoso central, os meningiomas podem surgir em locais bastante distintos. A localização é um fator importante, pois determina quais estruturas próximas podem ser afetadas e também influencia as possibilidades de tratamento.

Como é feito o diagnóstico?

A ressonância magnética é o principal exame utilizado na avaliação de um possível meningioma.

Muitas vezes, as características radiológicas são bastante sugestivas. Entretanto, quando o tumor é retirado cirurgicamente, o diagnóstico definitivo é realizado pelo exame anatomopatológico.

Atualmente, além da análise microscópica, características moleculares também vêm ganhando importância na compreensão do comportamento dos meningiomas. A classificação da OMS já incorpora determinadas alterações moleculares em situações específicas, e esse é um campo que continua evoluindo rapidamente.

A ressonância diz muito, mas cada meningioma tem uma história própria — e é essa história que orienta a decisão médica.

Cada meningioma exige uma decisão individual

Dois pacientes com tumores do mesmo tamanho podem receber recomendações completamente diferentes.

Para decidir entre acompanhamento e tratamento, é necessário considerar múltiplos fatores:

  • Localização do tumor
  • Presença ou ausência de sintomas
  • Crescimento observado ao longo do tempo
  • Idade do paciente
  • Condições clínicas gerais
  • Possibilidade de cirurgia segura
  • Quando há tecido disponível, características histológicas e moleculares

Por isso, receber o diagnóstico de meningioma não significa automaticamente precisar de uma operação ou de outro tratamento imediato.

Possíveis condutas diante de um meningioma

Conduta Quando pode ser indicada
Acompanhamento por imagem Tumores pequenos, assintomáticos e com crescimento lento
Cirurgia Tumores sintomáticos, com crescimento ou em localização crítica
Radioterapia Casos selecionados ou complementação após cirurgia parcial
Estratégia combinada Situações mais complexas, definidas em avaliação multidisciplinar

Recebeu um diagnóstico de meningioma?

Uma avaliação especializada em neuro-oncologia pode ajudar a definir se o melhor caminho é acompanhamento, cirurgia ou outra estratégia — sempre considerando o seu caso de forma individualizada.

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Em resumo

Muitos meningiomas apresentam comportamento lento e podem ser acompanhados com segurança em situações selecionadas. Outros necessitam de cirurgia, radioterapia ou combinação de estratégias.

A pergunta mais importante não é apenas "existe um meningioma?", mas sim "como este meningioma está se comportando e qual é a melhor estratégia para esta pessoa?"

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui uma avaliação médica individualizada.

Referências principais

  • Goldbrunner R, Stavrinou P, Jenkinson MD, et al. EANO guideline on the diagnosis and management of meningiomas. Neuro-Oncology. 2021.
  • International Consortium on Meningiomas. Consensus review on scientific advances and treatment paradigms for clinicians, researchers, and patients. Neuro-Oncology. 2024.
  • Louis DN, Perry A, Wesseling P, et al. The 2021 WHO Classification of Tumors of the Central Nervous System: a summary. Neuro-Oncology. 2021.

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